Brasil

Conta de luz em outubro terá tarifa extra mais cara pela 1ª vez

29 SEY 2017 | 23h04

Aneel aciona o nível 2 da bandeira tarifária vermelha, que adiciona taxa extra de R$ 3,50 para cada 100 quilowatts-hora consumidos, por conta de estiagem

A conta de luz em outubro terá o nível 2 da bandeira tarifária vermelha, anunciou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta sexta-feira. Essa será a primeira vez que esse patamar será acionado desde o início do sistema de bandeiras, em abril de 2015. A sinalização fará com que haja cobrança de tarifa extra de 3,50 reais para cada 100 quilowatts/hora (kWh) consumidos.

As bandeiras tarifárias indicam o custo da geração de energia. Segundo a Aneel, o país enfrenta uma estiagem forte no momento, o que tornou necessário o acionamento das usinas termelétricas, que são mais caras. A bandeira em vigor em setembro é a amarela, que adiciona 2 reais extras a cada 100 quilowatts-hora.

Na última semana, o governo publicou medida autorizando a importação de energia elétrica da Argentina e do Paraguai, em caráter excepcional, até março de 2018. A decisão foi tomada após o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) afirmar que as chuvas nos reservatórios do país em setembro ficaram abaixo da média, e que, para os próximos dois meses, a previsão indica baixo nível de água armazenada nas hidrelétricas.

A próxima revisão da bandeira tarifária está prevista para o dia 27 de outubro.

Níveis baixos

O volume de chuvas seguirá abaixo da média histórica em outubro, contribuindo para a manutenção de um cenário desfavorável para as hidrelétricas do país, segundo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A instituição prevê que o volume de água que chegará aos reservatórios das usinas da região Sudeste/Centro-Oeste ficará em 79% da média histórica para o mês.

Isso deve contribuir para uma nova baixa no nível do reservatório ao longo do mês que vem, chegando em 31 de outubro em 19,6%, ante os 24,4% anotados na quinta-feira. O sistema Sudeste/Centro-Oeste é responsável por cerca de dois terços da geração nacional. As previsões de afluência para as demais regiões são ainda piores.

No Nordeste, que atravessa há anos uma grave seca, a previsão do ONS é de que o nível dos reservatórios deve baixar mais 3,9 pontos porcentuais, chegando aos críticos 5,4%. Para o Sul, a estimativa é de queda dos atuais 37,1% para 35,7%. Já o Norte deve ter afluência em 56% da média histórica, o que acarretará em uma queda de mais de 10 pontos porcentuais dos níveis, para 22,4%.

(Com Estadão Conteúdo)



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