
Quem vive no Maranhão e deseja conquistar a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) enfrenta um dos maiores desafios financeiros do Brasil. De acordo com dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o maranhense precisa trabalhar, em média, pouco mais de sete meses para conseguir arcar com os custos do processo. O estado ocupa o quarto lugar entre os que mais demandam tempo de trabalho para custear a habilitação, atrás apenas de Acre, Bahia e Amazonas.
O levantamento segue o mesmo critério utilizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para medir o endividamento das famílias, segundo o qual é considerado saudável comprometer até 30% da renda mensal com um objetivo específico.
No Maranhão, o custo médio de uma CNH nas categorias A e B é de R$ 2.300,00, enquanto a renda per capita é de R$ 1.077,00. Aplicando o limite de 30%, o trabalhador teria de reservar cerca de R$ 323,00 por mês, o que representa 7,1 meses de esforço até reunir o valor necessário.
A comparação com outras regiões revela a desigualdade econômica entre os estados. No Distrito Federal, por exemplo, onde a renda média é de R$ 3.444,00, o tempo de poupança necessário cai para aproximadamente dois meses, além de haver uma quantidade muito maior de condutores habilitados. Já nas regiões Norte e Nordeste, estados como Maranhão, Piauí e Amazonas apresentam os menores índices de habilitação do país, variando entre 1 mil e 2 mil motoristas habilitados a cada 10 mil habitantes, reflexo direto da renda mais baixa.
Para reduzir essas desigualdades, o Ministério dos Transportes prepara um projeto que pode baratear em até 80% o custo da CNH nas categorias A e B. Atualmente, o processo completo pode ultrapassar R$ 4,4 mil e demorar quase um ano, o que leva milhões de brasileiros a dirigir sem habilitação - uma estimativa que chega a 20 milhões de pessoas em todo o país.
A proposta prevê mais flexibilidade nas etapas de formação dos condutores. Hoje, cerca de 80% do valor total é destinado às aulas oferecidas pelas autoescolas. Com as novas regras, o candidato poderá optar entre cursos teóricos gratuitos oferecidos pela Senatran ou aulas presenciais em autoescolas. Na parte prática, será possível contar com instrutores autônomos credenciados pelos Detrans, sem exigência de carga horária mínima.
Especialistas afirmam que as mudanças devem reduzir custos e prazos, ampliando o acesso à habilitação e promovendo maior inclusão social e oportunidades de emprego, especialmente nas regiões mais pobres do país.