
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morreu após ataques coordenados entre forças americanas e israelenses contra o país neste sábado (28). Até o momento, o governo iraniano não confirmou a informação.
Khamenei esteve à frente do Irã por quase 40 anos, exercendo forte controle político e religioso. Durante sua liderança, manteve postura rígida contra reformas internas, reprimiu opositores e sustentou um discurso hostil aos Estados Unidos e contrário ao reconhecimento do Estado de Israel.
Sua escolha para suceder Ruhollah Khomeini, em 1989, surpreendeu parte da comunidade religiosa e política, já que ele não era considerado uma das principais lideranças da Revolução Islâmica nem possuía, à época, o título de aiatolá. Nascido em 1939, na cidade sagrada de Mashhad, Khamenei cresceu em uma família humilde e religiosa, durante o regime do xá Reza Pahlavi.
Ele participou das mobilizações contra a monarquia, foi preso e chegou a se exilar pouco antes da Revolução de 1979, que transformou profundamente a política iraniana. Após a queda do xá, aproximou-se de Khomeini e ganhou espaço no novo regime. Em 1981, sofreu um atentado a bomba que deixou sequelas permanentes em um dos braços. No mesmo ano, foi eleito presidente do Irã, cargo que ocupou durante a guerra contra o Iraque, entre 1980 e 1988.
Ao longo das décadas, o Irã passou a apoiar grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza, em uma estratégia de confrontos indiretos com Israel e aliados ocidentais.
Como líder supremo, Khamenei concentrava amplos poderes: comandava as Forças Armadas, definia diretrizes de política externa e podia vetar decisões do presidente e do Parlamento. Seu governo enfrentou sucessivas ondas de protestos, como o movimento conhecido como Onda Verde, em 2009, além de manifestações contra a alta dos combustíveis, em 2019, e os atos de 2022 após a morte de Mahsa Amini, jovem detida pela polícia moral iraniana.
Nos últimos anos, o regime lidou com crescente desgaste popular, impulsionado por dificuldades econômicas, inflação elevada e impacto das sanções internacionais relacionadas ao programa nuclear iraniano. Mesmo após sobreviver a atentados e enfrentar problemas de saúde, Khamenei manteve-se no comando até os recentes ataques que, segundo Trump, teriam resultado em sua morte — fato que ainda aguarda confirmação oficial por parte de Teerã.