Opinião

Bita do Barão além da religião – por Saddam Nunes

Bita do Barão além da religião – por Saddam Nunes

"Para além da religião, Bita do Barão de Guaré cumpriu um papel filantrópico importante" .


21/04/19 04:18 - Atualizado em 23/04/19 05:49

Bita do Baraão e Saddam Nunes

Já adianto que não pretendo com essa postagem entrar no mérito ou provocar um debate sobre a religiosidade de ninguém. Aliás, essa é a única coisa que não trato aqui.

Contudo, inegável dizer que o Maranhão foi tomado de supresa após as notícias na internet dando conta da morte do Bita do Barão. Diferentemente de outras tantas vezes que rumores dessa espécie circularam, agora realmente era verdade.

Debilitado, já no auge dos seus bem vividos 87 anos (ou 108 anos como se convencionou a fantasia), a força do tempo não lhe poupou.

A curiosidade que move muita gente me levou a Codó na tarde do dia 03/09/2015. Fui acompanhando o então Secretário de Cultura de Coroatá, Iran Lima Costa, para uma visita com a finalidade de subsidiar uma atividade planejada pela secretaria.

Nunca o tinha visto antes. Ele nos recebeu no confortável escritório da sua loja de artigos religiosos, onde sempre atendia. Quando entramos nos deparamos com um senhor de estatura mediana, fala mansa, extremamente educado e polido.

Na longa conversa, falou sobre seus interesses pelas artes, contou algumas de suas muitas viagens à Europa e revelou um gosto particular de conhecer as grandes catedrais do planeta.

Entre uma provocação ou outra que fazíamos sobre sua fama, víamos um homem comedido e de poucas palavras, que não se envaidecia de ser conhecido internacionalmente e de levar uma legião de turistas a Codó.

A conversa fluiu de tal maneira que gentilmente nos convidou a conhecer sua casa e o seu terreiro. Ao chegarmos, impossível não perceber o ar suntuoso e requintado dos ambientes. Na parede, em destaque, estava emoldurado o título de Comendador Geral da República recebido na década de 80 e as muitas fotos com políticos e autoridades.

Após nos servir um suco de fruta, contou do vasto e permanente trabalho social que realizava, seja ajudando financeiramente ou com alimentos dezenas de famílias carentes do município. Aliás, isso o fez ser muito querido.

Perguntado sobre o que fazer para evitar energias negativas, e com a propriedade que certamente adquirira da experiência, cravou a frase: “ Reze bastante e evite pessoas invejosas. A inveja é o pior dos feitiços”.

Para além da religião, Bita do Barão de Guaré cumpriu um papel filantrópico importante, se notabilizou internacionalmente e projetou Codó. Isso tudo tendo conseguido a proeza de se materializar, ainda em vida, em uma figura do folclore brasileiro.

Amado por muitos e rejeitado por outros, por motivos óbvios, o certo é que, em Codó, os tambores silenciaram para a sua partida.

Texto - Saddam Nunes



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