Política

Bolsonaro diz que governo da Bahia não autorizou presença da PM para sua segurança

Bolsonaro diz que governo da Bahia não autorizou presença da PM para sua segurança

Governador da Bahia argumenta que Exército 'fechou terminal há dias' e classifica declaração do presidente como 'falsa polêmica'.


23/07/19 17:28 - Atualizado em 23/07/19 17:32

Ao anunciar a partida de Brasília até Vitória da Conquista, na Bahia, onde participa da inauguração de um aeroporto , o presidente Jair Bolsonaro disse que o governador do estado baiano, Rui Costa (PT), não autorizou a presença da Polícia Militar para a sua segurança no local. Nesta segunda-feira, Costa cancelou sua ida ao evento e acusou o governo federal de torná-lo uma “convenção político-partidária”.

"Estou de partida para Vitória da Conquista para inauguração de aeroporto. Lamentável a decisão do governador da Bahia que não autorizou a presença da Polícia Militar para a nossa segurança. Pior ainda, passou a responsabilidade de tal negativa ao seu Comandante Geral", escreveu Bolsonaro no Twitter.

Em entrevista à "Rádio Metrópole", na manhã desta terça-feira, Rui Costa lamentou o fato de Bolsonaro ter, em sua opinião, "ódio pelo nordestino e ódio pelo povo baiano" . Ele ainda argumentou que, se a inauguração do Aeroporto Glauber Rocha é evento federal, a segurança deve ser feita por forças federais, e não pelo efetivo policial do estado.

Pelo Twitter, Costa argumentou que o governo federal "fechou o aeroporto e excluiu o povo". Ele classificou a acusação de Bolsonaro como uma "falsa polêmica".

— Isso é retórica do presidente para chamar a atenção, porque ele não vai pisar os pés no estacionamento, na rua. Para que ele quer a PM lá dentro? Está cheio de pessoas do Exército lá dentro, da Força Aérea — disse ele. — Se a pessoa está com tamanho receio popular porque está com alta taxa de reprovação, fique em seu gabinete.

Costa ironizou a reclamação de Bolsonaro. Sugeriu que seria uma escolta do avião ao terminal de passageiros.

— Infelizmente, mais uma vez, quem governa pela rede social, pelo Twitter, ao invés de governar com o pé no chão, em contato com a população, está querendo criar um factoide mais uma vez.

Segundo o governador, a PM só teria contato com a população que tentasse chegar ao aeroporto. Costa disse ao colunista da ÉPOCA Guilherme Amado que o terminal é longe da cidade e está fechado pelo Exército "há dias".

Em nota, a Secretaria de Comunicação da Bahia informou que a PM sempre esteve à disposição para atuar na área do aeroporto durante a inauguração, mas que quando foi informada de que o evento aconteceria em ambiente interno e que representantes das Forças Armadas atuariam na área externa, avaliou que "não haveria necessidade de acrescentar mais tropas militares às que lá estavam".

Nesta segunda-feira, conforme antecipou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, Rui Costa decidiu não ir mais à inauguração do aeroporto. Ele alegou que o governo federal quis fazer "uma inauguração restrita a poucas pessoas, escolhidas a dedo" e criticou o que chamou de "agressões ao povo do Nordeste e ao povo da Bahia" por parte de Bolsonaro.

O petista afirmou que convidou o governo federal para o evento por “boa educação”, mas que “infelizmente confundiram a boa educação com covardia". Segundo o governador, o último repasse do governo federal para a construção foi feito na gestão Michel Temer e a obra ficou pronta em dezembro.

Segundo o colunista Lauro Jardim, inicialmente eram cerca de 200 convidados para a inauguração do aeroporto. O número passou para 300 na última sexta-feira — dia das declarações sobre os governadores do Nordeste — e, ao longo do fim de semana, subiu para 600. Deste total, apenas cem convites eram para o governo da Bahia. O Planalto não comentou as críticas.

O presidente anunciou sua chegada à Bahia pouco depois de 11h10, no Twitter, com um vídeo no qual desembarca no aeroporto. Ele acenou para apoiadores que o saudaram aos gritos de "mito".



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