Mundo

Irã executa lutador condenado por matar segurança durante protestos

Irã executa lutador condenado por matar segurança durante protestos

Defesa alega que não havia provas contra Navid Afkari, campeão iraniano de luta olímpica.


12/09/20 15:49 - Atualizado em 12/09/20 15:50

O lutador iraniano Navid Afkari, de 27 anos, foi executado neste sábado (12), informa a mídia estatal do país. Ele foi condenado por esfaquear e matar um segurança durante protestos contra o governo em 2018. A defesa alega que não havia provas contra ele.

O presidente do tribunal da província de Fars, Kazem Mousavi, afirmou, segundo a TV estatal, que o lutador foi executado na prisão de Adelabad em Shiraz, no sul do país.

Uma campanha pela internet chamou a atenção internacional para o caso, pois retratava Navid Afkari, campeão iraniano de luta olímpica, e os seus dois irmãos, Vahid e Habib, como alvos de perseguição por terem participado de protestos contra o governo e a situação econômica e social do país.

Afkari foi acusado de esfaquear Hassan Turkman, um funcionário de uma empresa de abastecimento de água na cidade de Shiraz durante as manifestações de 2018.

A família e ativistas afirmam que ele foi torturado para fazer uma confissão divulgada na semana passada. A declaração se assemelha a centenas de outras confissões coagidas que foram transmitidas ao longo da última década na República Islâmica, de acordo com a Associated Press.

O advogado de Afkari, Hasan Yunesi, afirmou que no domingo estava programada uma reunião com a família da vítima para "pedir perdão" e evitar a aplicação da pena de morte. "Estavam com tanta pressa que negaram a Navid seu direito a uma última visita", escreveu Yunesi no Twitter.

Bahie Namju, mãe do lutador, afirmou que Afkari tentou se matar três vezes durante o período que esteve na prisão.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) considerou “muito triste” a notícia da execução de Navid Afkari. "É profundamente lamentável que os apelos de atletas de todo o mundo, e todo o trabalho do COI, com o Comitê Olímpico Iraniano, a Federação Internacional de Luta Livre e a Federação Iraniana de Luta Livre, não tenham alcançado seu objetivo", lamentou o COI, em comunicado divulgado neste sábado.

Apelo de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a publicar no Twitter na semana passada um apelo para que o lutador não fosse executado. “Líderes do Irã, eu apreciaria muito se vocês poupassem a vida desse jovem e não o executassem. Obrigado!", afirmou.

Em resposta ao pedido do mandatário americano, a TV estatal publicou uma reportagem de 11 minutos em que entrevistava os pais do homem morto e mostrava imagens de Afkari na garupa de uma motocicleta. A reportagem dizia que ele havia esfaqueado Turkman pelas costas, mas não explicava por que ele teria cometido o ataque.

A reportagem ainda dizia que o celular de Afkari estava na área onde ocorreu o crime e mostrava imagens de câmeras de vigilância que o mostravam caminhando por uma rua, falando ao telefone.

O Irã, que executou pelo menos 259 pessoas em 2019, é, ao lado da China, o país que mais recorre à pena capital, de acordo com a Anistia Internacional.



Comentário

PUBLICIDADE


Mais lidas








PUBLICIDADE

Enquete

Você é a favor ou contra o isolamento social para combater o novo coronavírus?

2016 © Todos os Direitos Reservados