Opinião

Por que Lula não deve ser preso? - Por Clodoaldo Corrêa

Por que Lula não deve ser preso? - Por Clodoaldo Corrêa


05/04/18 17:59 - Atualizado em 09/04/18 15:49

Sei da quase impossibilidade, neste momento, de se emitir qualquer opinião sobre as condenações de Lula e sua iminente prisão sem ser visto por alguns como afetado por viés político ou ideológico. Sei também que não existe discurso neutro. O meu também não é. De fato, quase já fui um militante de esquerda. Quando estudava Ciências Econômicas (Economia) na UFAM, na década de 90, fui bastante influenciado por muitos amigos de esquerda, o mais notório deles se chamava Sandro, que era militante do PT. Por causa disso votei algumas vezes em Lula.

Ainda temos que esperar para ver a realidade da prisão do capitão petista, porém, o que me preocupa e enseja esta publicação não é propriamente o fato em si, o evento prisão-de-Lula, mas seu significado e vinculações; não apenas no âmbito jurídico, mas para todas as esferas da sociedade. Manifesto aqui todo o meu respeito às opiniões divergentes, mas não posso deixar de expressar minha preocupação com a maneira excessivamente passional como algumas pessoas têm encarado a prisão do ex-presidente.

Roubo é roubo, crime é crime, ilegalidade é ilegalidade. Não dá para sonhar com um país melhor enquanto tivermos boa parte da população com síndrome de mulher de malandro: “É, ele me bate, me trai, mas não deixa faltar nada aqui em casa”. Ah, para! Precisamos nos libertar dessa danosa paixão político-ideológica que está acabando com nossa democracia. Precisamos ver a prisão de Lula e de outros medalhões da política nacional como um progresso de nossa estrutura jurídico-social. Sua condenação e eventual prisão em si, destituída de cegueira ideológica, possuem enorme significado para hoje e para as futuras gerações.

Por que Lula não pode ser preso? Por que está acima da lei? Por que todo mundo rouba e ele também pode roubar? Por que ele é o nosso salvador da pátria e se não for ele ninguém mais pode ajudar o Brasil? O fato de ele ter sido um grande presidente, de origem pobre e trabalhador dão a ele o direito de se atolar no lamaçal da corrupção? As ilegalidades cometidas por Lula e seu bando não podem ser ofuscadas ou mesmo redimidas pela cortina de fumaça político-ideológica. Roubo é roubo, ponto.

Há muitos séculos Aristóteles já dizia que o homem é um animal político, o que não significa, evidentemente, que a política deva servir de proteção para a ilegalidade. Pais que defendem cegamente seus filhos, mesmo diante da realidade de seus maus feitos, estão plantando uma péssima semente para o futuro. O amor paterno não pode ser cego desse jeito. O mesmo ocorre no âmbito político. Tenho visto pessoas honestas serem totalmente desviadas da virtude em nome de uma paixão política. Quem insiste na defesa da tese de que a lei é para todos menos para seus chegados, acabará tornando-se vítima de sua própria noção de justiça.

Concluo com um trecho do discurso histórico de Ulisses Guimarães, em 05 de outubro de 1988, por ocasião da promulgação da atual Constituição Brasileira:

“A vida pública brasileira será também fiscalizada pelos cidadãos. Do Presidente da República ao Prefeito, do Senador ao Vereador. A moral é o cerne da Pátria. A corrupção é o cupim da República. (Palmas.) República suja pela corrupção impune tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salvá-la, a tiranizam. Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública.”

Clodoaldo Corrêa é professor de Filosofia, Sociologia e Língua Portuguesa.



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